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16 de dezembro de 2008

A saga de Gandhi #6

Gandhi e a gaivota.


Dê asas à sua imaginação e invente um jeito de preservar o ecossistema. Estamos em tempos em que o pensamento ecológico é um grande diferencial.

24 de novembro de 2008

A saga de Gandhi #4

Gandhi contra a homofobia.



Porque o que importa é amar.

*Essa foto foi tirada no ato contra a Porposition 8, na qual o presidente George W. Bush anula os casamentos entre homossexuais antes permitidos pela lei no estado da Califórnia. Todos os que casaram sob essa lei tiveram seus casamentos anulados e não têm mais direitos aos bens do parceiro em caso de morte ou separação.

17 de novembro de 2008

A saga de Gandhi #3


Gandhi no abismo.



Porque por mais down que você esteja, sempre tem alguém mais abaixo.

A saga de Gandhi #2

Gandhi no banco de uma praia no Pacífico.


Conforto não é tudo. E se até o oceano é Pácífico, pra que violência?

Projeto Fundamental é o Amor

Paloma levou um mascote para San Francisco.

Aliás, sacanagem chamar Gandhi de mascote. O cara liderou mais de 250 milhões de hindus no movimento pela independência indiana e sempre esteve à frente de protestos muito importantes sem jamais usar a violência. Em seu discurso, enumera 5 pontos representados pelos dedos das mãos, que representam o sistema, conectados ao pulso, que representa a não-violência. Esses pontos são: igualdade, nenhum uso de álcool ou droga, unidade hindu-muçulmano, amizade e igualdade para as mulheres.

A idéia dela era pedir que 2 gays segurassem nas mãos de Gandhi para tirar uma foto. Acabou que o Gandhi virou um grande personagem na viagem. Gostei da idéia e pedi pra ela me mandar um boneco igual que me acomanhará em todas as viagens que eu fizer também. Vai ser meu doende da Amelie Poulan. Só que com uma mensagem de amor.

PaloPalo, manda logo meu Gandhi!

23 de outubro de 2008

Recomeço


Inebres pinturas distorcidas
Que revelam algo a mais
Revelam-me em essência
E toda história que busco
esconder, por não ser mais
parte de mim. Acordo
num sobressalto.
Tento compreender
O mundo à minha volta
Não o reconheço
Não me reconheço
O que sou?
O que tenho me tornado?
Sim, um tornado
Mudanças de ventos fortes
E circulares, traseuntes,
Imaculados e sóbrios...
Vida de contornos cíclicos
Que insiste em não andar
para frente. E retorna.
Uma última esperança,
matar meu coração
E tudo aquilo que não
me tem importância...
Meus sentimentos.
Para quê servem?
Apenas me testam
E me ferem de profundo.
Mas, não mais.
Não agora
Não de novo,
Não posso mais e não quero
A vida se abre para mim
E mais do que nunca,
Limpa e de consciência em paz
eu me abro para ela.
Há algo ainda para buscar.

10 de outubro de 2008

Fundamental é mesmo o amor... será impossível ser feliz sozinho?


Muitos poetas cantam o amor e a falta dele.

Mas é bom amar? Até que ponto sentir o coração bater mais forte é positivo?

Eu sempre gritei em alto em bom som que amar era a melhor coisa da vida. Amar sempre me fez me sentir viva. Eu sempre achei que quando eu amo eu fico mais bonita, porque fico feliz. Tatuei nas minhas costas a frase Fundamental é o amor. Até que um dia o amor teve o efeito contrário. Eu, que sempre me senti a "menina mais feliz do mundo", como eu dizia, depois de um tempo parei pra pensar há quanto tempo eu não sorria. Nesse dia entrei na terapia.

O motivo da falta de sorriso não era o amor. Era a falta de amor. Ou talvez a falta de sincronismo no amor. Eu era amada por outras pessoas, mas não pela pessoa que eu queria que me amasse. Meu amor mentiu pra mim e eu me decepcionei. Me lembrei que eu já havia mentido para outras pessoas que me amaram e elas me perdoaram. Tem a máxima que diz quem ama perdoa. Perdoei. Adianta perdoar? Acho que adianta se não houver reincidentes. Mas o amor é cego? Se for, é injusto. Injusto porque a gente ama só o que quer ver. E não nos baseamos na verdade para fazermos nossas escolhas.

Mas de quem é a culpa? Quando um amor não dá certo, é comum termos ressentimento daquele que não nos amou. Como pode uma pessoa não reconhecer tudo que fizemos? E todas as surpresinhas? Os presentinhos fora de hora? A cartinha que levou três noites em claro para ficar pronta? A viagem planejada com seis meses de antecedência? A fidelidade? Ah, a fidelidade...

Quando a gente ama, a gente espera que o outro faça conosco o que fazemos por ele. Mas nem sempre é assim. O que é bom pra gente pode ser chato pro outro. E ao amarmos, nos tornamos egoístas. Queremos que o outro fique feliz com o que nos faz feliz. Há quem diga que isso não é amor.

Tem o pessoal do if you love somebody set them free. Se você ama, tem que dar o espaço que o outro precisa, mesmo que não seja o mesmo do seu. Tem que compreender as diferenças, tem que apoiar mesmo que não concorde. Essa é outra linha de pensamento. Não vou julgar qual é a certa. Eu só sei em qual me encaixo. Sei???

A vida inteira eu achei que tivesse uma linha. Achei que o amor me fizesse ter um comportamento só e que isso era amor. Quando eu sentia, sabia que amava. Eu achava que amor era quando eu me sentia bem com a pessoa e ela comigo. Era quando nada era um sacrifício, tudo acontecia porque os dois queriam. Descobri que sempre foi assim antes porque sempre tive sorte. Eu me apaixonava por quem se apaixonava por mim. Ou por estar sempre feliz e apaixonava, atraía mais amor pra perto de mim. Eu era sem dúvida muito mais bonita e atraente. Eu nunca precisei de joguinhos, de fingir desinteresse, sempre desprezei esses artifícios que não julgo coerentes com as relações que quero ter.

Chegou um dia em que o meu amor era diferente. Eu me dedicava a uma pessoa exatamente como me dediquei aos outros amores que tive. Eu não fingia. Eu era espontânea, era sincera, era compreensiva. Pra mim não havia porquê desconfiar de quem está ao meu lado, afinal se estamos juntos é porque queremos. Mas isso era pra mim. E dessa vez não era para quem eu amava. Me deparei com o inesperado. Me peguei apaixonada por uma pessoa que não me dava o que eu sempre tive antes. Ele me dava um pouquinho e depois tirava. Me dava uma pontinha de esperança e depois puxava. E eu me vi num rolo que eu achava que era amor, mas era bem diferente. Será que o amor causa dependência química?

Era assim que eu me sentia. O amor dele era como uma heroína pra mim. No início, vê-lo me seduzia. Me dava um prazer sem igual. Melhor que tudo que eu já tinha experimentado. O mais engraçado é que eu sabia que era uma roubada, mesmo sem ter a menor idéia do que acontecia fora do meu mundo imaginário com ele. Aí eu fui ficando dependente, queria uma freqüência maior, depois mais quantidade, e passei a só pensar nisso. Deixei de ser quem eu era. Envelheci. Tive a oportunidade de me desintoxicar, mas desperdicei. Me arrependo profundamente. O antídoto era doce e nem seria tão doloroso. Mas eu só pensava no efeito que ele me causava quando eu podia ter uma migalha daquilo que fosse, mesmo sabendo que o fim seria a ruína. Eu tinha crise de abstinência quando me afastava. Fiz tudo que um viciado faz. Menti pra quem me amava, enganei meus amigos, me afastei de quem rejeitava meu vício. E tem a turminha oposta também. Os "amigos" que dão força, que falam o que tem? você tem que fazer o que você quer e ninguém tem nada com isso. Mas todos tinham sim. Eu desprezei a opinião de quem me queria bem e fiz sofrer todos aqueles que se machucavam com o meu sofrimento também.

Tive muitas recaídas e reabilitações. Quando eu achava que já estava curada, lá estava a droga na minha frente e eu não resistia, mesmo sabendo que jogaria toda a recuperação no lixo. O pior é que a culpa não era dele. Não tenho raiva dele. Tenho raiva de mim. De me permitir passar por isso tudo. De fingir estar bem e ser forte. De deixar passar na minha vida pessoas que se mostraram dedicadas e verdadeiras e perdê-las pra sempre, machucando-as. E aí eu, que me achava apaixonada, me pergunto: será que isso é amor?

Novamente, não quero julgar o que é o amor ou como deve ser. Mas eu descobri que, o amor que eu quero não é o amor do mundo dos sonhos. Eu quero um amor que me faça bem como os que tive antes, um amor bom enquanto durar, como sempre foi. Esse não teve nada de bom enquanto durou. Não tenho nenhuma lembrança boa. Isso porque não vivi a realidade nem um dia. Tudo que eu tive foi fruto da minha imaginação. Eu achava que vivia uma vida que não era real. Eu fiz planos que nunca se realizaram. Eu planejei baseada numa encenação, e quando eu vi onde eu estava, eu não queria mais me levantar da cama. Não tinha mais vontade de acordar, achava que não tinha motivos.

Mas eu acordei. Eu me reabilitei. Eu vi que viver a verdade é melhor. Que é bom estar lúcida. É justo ter o direito de escolher baseada na verdade. Só que fiquei com um problema: a associação do amor a uma experiência ruim, que anulou tudo de bom que eu já havia vivido antes. Agora que eu estou de volta à vida real, tenho medo de me perder novamente num caminho de ilusões. Sei que tão cedo não vou me entregar ao amor novamente. E me pergunto se é mesmo impossível ser feliz sozinho.

Eu não me sinto sozinha hoje. Pelo contrário. Eu me sentia antes. Hoje eu enxergo meus amigos novamente. Consigo me divertir comigo mesma. Vejo novamente como meu sorriso é radiante e bonito. Vejo que eu sou muito melhor do que eu me sentia quando estava triste por amar alguém que não queria o mesmo que eu e vi que o segredo de amar é o equilíbrio baseado na verdade. Antes, eu perdi tempo, e hoje sei que meu tempo é precioso e vale menos alguns anos que joguei fora - ou mais, se eu os recuperar.

Sim, concordo que if you love somebody set them free. Assim é melhor para os dois lados. Para o amado, que não fica obrigado a fazer o que o amante quer para correspondê-lo, e para o amante, que, sabendo da verdade, pode escolher os caminhos que tomar, sem ser enganado. O importante é ter respeito. O maior inimigo de qualquer relação, seja de amor, de amizade, familiar ou profissional é a mentira. Se seu amor não consegue ser feliz com você, deixe-o ser feliz longe. E você ficará feliz com sua realização. Se isso não ocorrer, não era amor. Era vício.

E para aqueles que são amados mas não têm o mesmo amor para retribuir, um conselho: não enrole quem se dedica a você. Não gaste o tempo e o sentimento dos outros. Não seja covarde e não pense que é mais esperto que quem te ama. Quem te ama só é mais cuidadoso com você, não é bobo. Quem ama sabe quando está sendo enganado, só prefere acreditar que se insistir vai dar certo, já que esse é seu desejo.

Hoje eu acho que o amor mais importante é o amor-próprio. É importante se conhecer e saber seus defeitos e qualidades. Isso eu vou levar a vida inteira pra fazer. Mas de uma coisa eu tenho certeza: não amarei a ninguém mais que a mim mesma novamente. E isso será bom para todos que cruzarem o meu caminho.

Um beijo especial para aqueles que eu amei e que ainda fazem parte da minha vida, depois de termos decidido caminhos diferentes não por falta de respeito, mas por sensatez e justamente por querer bem um ao outro depois de tudo que passamos juntos. A amizade que ficou nunca se abalará. Nosso amor foi uma troca e todos ganhamos, ninguém dividiu, só somou.

Pra mim, isso é o amor: quando você soma ao invés de dividir.

Foto: Marco Sobral

1 de outubro de 2008

Gentileza gera gentileza


Vida cosmopolita.

Todo mundo preocupadíssimo com o que vai fazer nos próximos 5 minutos. Todos atrasados, estressados, putos com o chefe que quer cada vez mais, os filhos brigando, a bolsa caindo loucamente, a mãe ligando sem parar... e cada dia mais vivemos a nossa própria vida.

De caso pra academia, da academia pro trabalho, do trabalho pra pós, da pós pra casa do namorado, da casa do namorado pro restaurante, do restaurante pra casa. E tudo isso no celular, ligando, acessando e-mail, falando por mensagem. Hoje acho que já se fala mais por mensagem que por voz: vc vai hj? ou te pego em 5 ou compra tudo ou busca as crianças p mim são cada vez mais comuns.

Mas e nesse vai e vem, quem é você? Você é o cara que passa por cima de todo mundo pra conseguir o que quer? Você o bobo que faz tudo pra todo mundo e depois se lamenta de não ter investido em você? Você está de licença porque teve um enfarto? Você está em todos os eventos porque quer, por medo da solidão ou por uma obrigação?

A primeira coisa que você tem que ver é com que frequência você sorri. E aí só vale sorriso espontâneo. Eu parei pra avaliar isso há um tempo atrás e resolvi fazer terapia. Antes, a menina mais feliz do mundo, e então a menina robô, que fazia tudo automaticamente, por várias razões, é lógico.

Uma coisa que precisamos pensar é que um sorriso pode mudar a vida do outro. E nos poupar de muitos aborrecimentos. Imagine que todos têm dias ruins. E se quando aquele garçon que ganha 1/8 do seu salário trouxesse o prato errado pra você e, ao invés de você dar uma bronca, você explicasse a situação com um sorriso e agradecesse se ele trocasse? E se ao esbarrarem em você, você ajudasse a pessoa a catar o que caiu no chão? E se você desse bom dia pro seu porteiro olhando no fundo dos olhos dele com um lindo sorriso no rosto?

A voz muda quando estamos sorrindo.

No trabalho, geralmente o clima é tenso. Sempre tem os que estão bem e os que estão insatisfeitos. E a forma de cada um reagir à insatisfação é única também. Mas e se, ao invés de você gritar com todos, ou ser sarcástico a ponto de ofender, ou reclamar o tempo inteiro, tentar manter um clima melhor já que todo o resto está tão difícil? Não adianta nada fechar a cara o dia todo. As pessoas ficarão aind amais tensas e, quem sabe, tristes. Uma grosseria, mais do que raiva nos outros, pode dar desânimo em quem a recebeu. Principalmente se essa pessoa for alegre. Aí a palavra é decepção. "Por que isso se eu sou sempre tão prestativo?", "Pra que gritar se só fiz uma pergunta?", "Por que essa raiva só porque não concordamos?".

Todo mundo tem um dia ruim. Eu mesma tenho dias de bastante desânimo quando algumas coisas acontecem. Pode ser uma briga com quem a gente gosta, pode ser falta de grana, pode ser um problema no trabalho. Mas descontar no outro não adianta. Isso eu aprendi. Aprendi também que quando a gente é grosso, deve pedir desculpas assim que se tocar. Aprendi, isso desde cedo, que as pessoas têm opiniões e gostos diferentes, e que não temos que convencer niguém a fazer o que gostamos. Podemos mostrar porquê gostamos.

Seguem algumas coisas para pensarmos:

1 - O que é bom para o outro também é bom pra você?
2- Está agindo como gostaria que agissem com você?
3- Espera os outros sairem para entrar? Segura a porta, cede o lugar?
4- Trata bem as pessoas que lhe servem? Agradece? Dá informações suficientes? Faz como gostaria que seu chefe fizesse com você?
5- Oferece ajuda antes que lhe peçam? Oferece ou impõe essa ajuda?
6- Sorri ao pedir algo a alguém?
7- Se erram, mostra o que não lhe agradou de forma civilizada e explicativa?
8- Se algo não dá certo, reflete sobre a solução ou busca um culpado? Se tem solução, você mesmo faz ou manda alguém fazer? Se não tem solução, esquece ou reclama o tempo todo?

Tem sempre um jeito de viver melhor. Tem sempre uma gentileza que pode salvar o dia do outro. E quando você é gentil, os outros têm vergonha de tratá-lo com grosseria. E se não têm, deixa pra lá. Sorria pra esses e deseje um bom dia. A sua vida e dos que o cercam certamente mudará. E existe algo mais gratificante que mudar a vida de alguém pra melhor?